Há um certo tempo atrás, acho que 2 ou 3 meses, decidi comecar a assistir filmes sem ler absolutamente nada a respeito antes das sessões. Eu sei, e quase inevitável não ter conhecimento de absolutamente nada a respeito de uma produção. Mas não impossível.
E assim comecei a assistir Nossa Hospitalidade (Our Hospitality, 1923). Sem tomar conhecimento do que se tratava o filme, conferi os 73 minutos do filme todo como uma grande surpresa. E que grata surpresa.
O filme da inicio com um prólogo onde temos conhecimento de tempo e local. Uma pequena pincelada aos costumes da época também é reforçada para aqueles menos estudados em História. Então somos apresentados a duas familias rivais – Os McKay e os Canfield. Rivalidade essa baseada em motivo quase algum, mas suficiente para o desejo da morte alheia - logo o ainda bebe Willie McKay se torna orfão.
20 e tantos anos depois, morando em Nova Iorque (destaque para o retrato do cruzamento Broadway – 42nd Street da época, impagável) com sua tia. Willie recebe uma carta que o faz retornar a suas raízes sulistas mais uma vez para retomar a terra que um dia fora de seu pai.
Ok, essa breve introdução foi um paralelo, mas não quero perder o ponto principal que é – O prólogo é todo trabalhado e (muito bem) encenado de forma dramática. Ao atingir os dias “atuais” na vida de nosso protagonista, nos deparamos com um inspiradíssimo Buster Keaton colocando abaixo todo aquele drama e pintando o longa com tons cômicos e inúmeras gags que nos remetem aos melhores momentos de Chaplin.
No caminho de volta pra casa, o jovem McKay se apaixona por uma Canfield, que o convida para um jantar em sua casa com sua família, que claro, deseja a cabeç a do nosso herói. Porem a “Nossa hospitalidade” como um código de conduta, não permite sangue derramado dentro de casa, logo Willie se vê em uma armadilha onde seus hosts o querem porta a for a para acabar logo com sua vida e o mesmo decide entao tornar-se um hospede permanente
A irônia do plot por si so ja seria uma grande piada. Mas o show de atuação e a aula do que é um timming perfeito tornam este filme extremamente agradável de se assistir. Quase ausente de diálogo, intercalando algumas cenas de suspense, tensão e até mesmo um final cheio de aventuras. Por falar no final, o mesmo se destaca pela excelente execução para sua época.
O elenco sempre rico em expressão e charisma ajuda a manter o ritmo nos trilho, mas Buster sem duvidas detém (se não todos) quase todos os pontos altos do filme. Foi a primeira vez que vi uma atuação cômica em um rosto quase sem expressão alguma. Realmente impressionante.
Nossa Hospitalidade foi um ótimo comeback ao blog e para dar um gás no ânimo. Que venham mais como este.
Nossa Hospitalidade (1923)
EUA (Joseph M. Schenck) 74 min.
Mudo P&B
Direção: John G. Blystone.
Keaton
Produção:Joseph M.Schenck
Roteiro: Clyde Bruckman,
Jean C. Havez
Fotografia: Gordon Jennings,
Elgin Lessley
Elenco: Joe Roberts, Ralph Bushmi
Craig Ward, Monte Collins,
Joe Keaton, Kitty Bradbury,
Natalie Talmadge, Buster Kr.
Buster Keaton
Esposas Ingênuas é uma celebração a irônica. Dos problemas de produção até sua edição final (que passara por trocentas montagens), até seu resultado parece uma ironia de si mesmo.
Dia 27 de fevereiro acontece a festa mais prestigiado do cinema mundial. Barrando o BAFTA, Golden Globes e o caralho a quatro, o Oscar é historicamente a premiação mais importante da indústria cinematográfica. Isso não o faz a mais justa, muito menos unânime. Sempre tentando se acertar as tendências do momento para falar a língua de seu minguado público (que diminui ano após ano), mas ao mesmo tempo, tentando manter a postura de cerimônia séria e formal.
Pergunta: Como decidir qual é o melhor filme do ano que passou?
‘Häxan – A Feiticeira Através dos Tempos’ é um filme que comecei a ver ano passado, em meados de novembro. Não tive muito interesse logo de cara passei pra ‘Esposas Ingênuas’. Quando tive que resenhar sobre ele, semana retrasada, me lembrei que não tinha terminado a obra. Peguei o DVD emprestado de um amigo, assisti naquela semana, depois semana passada – mais uma vez. E já dizia o slogan de ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’: prepare-se para ficar impressionado.
urada. Tudo muito exposto, muito voyeur. Com tal arma, Christensen logo nos tira do momento “History Channel” que é a primeira etapa, para uma experiência quase que 3D em plena década 20. Fato admirável. A imersão só melhora quando temos uma produção impecável em outros departamentos como: cenografia (prepare-se para testar sua claustrofobia), maquiagem (irrepreensível) e iluminação.

