0018 – Nossa Hospitalidade (1923)

Há um certo tempo atrás, acho que 2 ou 3 meses, decidi comecar a assistir filmes sem ler absolutamente nada a respeito antes das sessões. Eu sei, e quase inevitável não ter conhecimento de absolutamente nada a respeito de uma produção. Mas não impossível.

E assim comecei a assistir Nossa Hospitalidade (Our Hospitality, 1923). Sem tomar conhecimento do que se tratava o filme, conferi os 73 minutos do filme todo como uma grande surpresa. E que grata surpresa.

O filme da inicio com um prólogo onde temos conhecimento de tempo e local. Uma pequena pincelada aos costumes da época também é reforçada para aqueles menos estudados em História. Então somos apresentados a duas familias rivais – Os McKay e os Canfield. Rivalidade essa baseada em motivo quase algum, mas suficiente para o desejo da morte alheia –  logo o ainda bebe Willie McKay se torna orfão.

20 e tantos anos depois, morando em Nova Iorque (destaque para o retrato do cruzamento Broadway – 42nd Street da época, impagável) com sua tia. Willie recebe uma carta que o faz retornar a suas raízes sulistas mais uma vez para retomar a terra que um dia fora de seu pai.

Ok, essa breve introdução foi um paralelo, mas não quero perder o ponto principal que é – O prólogo é todo trabalhado e (muito bem) encenado de forma dramática. Ao atingir os dias “atuais” na vida de nosso protagonista, nos deparamos com um inspiradíssimo Buster Keaton colocando abaixo todo aquele drama e pintando o longa com tons cômicos e inúmeras gags que nos remetem aos melhores momentos de Chaplin.

No caminho de volta pra casa, o jovem McKay se apaixona por uma Canfield, que o convida para um jantar em sua casa com sua família, que claro, deseja a cabeç a do nosso herói. Porem a “Nossa hospitalidade” como um código de conduta, não permite sangue derramado dentro de casa, logo Willie se vê em uma armadilha onde seus hosts o querem porta a for a para acabar logo com sua vida e o mesmo decide entao tornar-se um hospede permanente

A irônia do plot por si so ja seria uma grande piada. Mas o show de atuação e a aula do que é um timming perfeito tornam este filme extremamente agradável de se assistir. Quase ausente de diálogo, intercalando algumas cenas de suspense, tensão e até mesmo um final cheio de aventuras. Por falar no final, o mesmo se destaca pela excelente execução para sua época.

O elenco sempre rico em expressão e charisma ajuda a manter o ritmo nos trilho, mas Buster sem duvidas detém (se não todos) quase todos os pontos altos do filme. Foi a primeira vez que vi uma atuação cômica em um rosto quase sem expressão alguma. Realmente impressionante.

Nossa Hospitalidade foi um  ótimo comeback ao blog e para dar um gás no ânimo. Que venham mais como este.

Nossa Hospitalidade (1923)
EUA (Joseph M. Schenck) 74 min.
Mudo P&B
Direção: John G. Blystone.
Keaton
Produção:Joseph M.Schenck
Roteiro: Clyde Bruckman,
Jean C. Havez
Fotografia: Gordon Jennings,
Elgin Lessley
Elenco: Joe Roberts, Ralph Bushmi
Craig Ward, Monte Collins,
Joe Keaton, Kitty Bradbury,
Natalie Talmadge, Buster Kr.
Buster Keaton

Publicado em #N, Anos 1920, Uncategorized | Marcado com , , , , | 2 Comentários

1 minuto de silêncio…

Queridos leitores, já estou há alguns dias longe do blog pois tenho andado muito ocupado resolvendo imbróglios de grande mudanças que minha vida passará nos próximos dias. Peço desculpas pelo transtorno, mas quero que saibam que não desisti do meu objetivo não ok?

Com o passar de toda tormenta, voltarei ao meu ritmo normal (até um pouco mais acelerado, se tudo sair como os conformes). Espero logo poder compartilhar com vocês as novidades desse novo capitulo da minha vida.

=D

Publicado em Diário de bordo | 2 Comentários

0017 – Esposas Ingênuas (1922)

Passada a euforia do Oscar, volto com minha heróica missão.

Esposas Ingênuas é uma celebração a irônica. Dos problemas de produção até sua edição final (que passara por trocentas montagens), até seu resultado parece uma ironia de si mesmo.

Conde Karamzin é um emigrante russo que vive com duas primas (Olga e Vera) em Monte Carlo, sobrevivendo de aparência e aplicando golpes na alta-sociedade européia. No melhor estilo trapalhões, os alvos recorrentes das trapaças são as tais esposas ingênuas do título. O conde falastrão se perfaz de militar aristocrata para atrair senhoras ricas, poderosas e inocentes.

Sra. Hughes, seu próximo alvo, é uma esposa desprovida de amor em seu casamento como mais novo embaixador americano em Mônaco. As desventuras para encantar a insossa rapariga é o catalisador da trama, que apesar de simplória, entrega momentos ácidos e escatológicos – tudo por 91 mil francos.

A montagem que assisti, tinha 115 minutos. Diferente dos 80 e tantos indicados no livro. Após pesquisar um pouco sobre o filme, descobri que a produção passou por poucas e boas. O ator Rudolph Christians, que interpreta o tal do embaixador, faleceu durante as filmagens, o que explica o fato do personagem aparecer 75% do filme de costas. Chega a ser engraçado de tão tosco.

Erich von Stroheim, diretor e interprete do Conde Karamzin, tinha fama de megalomaníaco e a montagem original de “Esposas Ingênuas” tinha originalmente 8 horas de duração –  mil remontagens posteriores e hoje em dia, cada site cataloga o filme com uma duração diferente. Foi o primeiro filme a ultrapassar o orçamento de 1 milhão dedoláres – É só olhar o capricho com cada cenário para descobrir onde grande parte da bagatela foi gasta.

Esposas Ingênuas (1922)
EUA (Universal) 85 min. Mudo PS
Direção:
Erich von Stroheim
Roteiro:
Marian Ainslee, Waltri
Anthony, Erich von Stroheim
Fotografia:
William H. Daniels,
Ben F. Reynolds
Música:
Sigmund Romberg
Elenco:
Rudolph Christians, Mis
DuPont, Maude George, Mae Busch
Erich von Stroheim, Dale Fuller, AL
Edmunsen, Cesare Gravina, Malvin
Polo, Louis K. Webb, Mrs. Kent,
C. J . Allen, Edward Reinach

Publicado em #E, Anos 1920 | Marcado com , | 1 Comentário

And the Oscar goes to…

Dia 27 de fevereiro acontece a festa mais prestigiado do cinema mundial. Barrando o BAFTA, Golden Globes e o caralho a quatro, o Oscar é historicamente a premiação mais importante da indústria cinematográfica. Isso não o faz a mais justa, muito menos unânime. Sempre tentando se acertar as tendências do momento para falar a língua de seu minguado público (que diminui ano após ano), mas ao mesmo tempo, tentando manter a postura de cerimônia séria e formal.

Famosos casos renderiam uma infinidade de exemplos, mas o retrocesso não é de meu feitio, então voltarei apenas alguns anos no passado, quando O Cavaleiro dos Trevas, maior blockbuster do ano de 2008, conseguiu a façanha de elevar o patamar da série Batman de “filme de quadrinhos” para “filme conceito” – visto que após ele, as adaptações de super-heróis (quiçá outros exemplos) nunca mais foram as mesmas.

Naquela ocasião, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas nomeou o filme em 8 categorias – 7 técnicas. Ignorando por completo a maestria de seu diretor – Christopher Nolan, em orquestrar tamanha produção, roteiro e atuações impecáveis.

Estava tudo lá – A técnica impecável (nomeada, mas ganhadora de apenas um famigerado troféu), a atuação – épica performance de Heath Ledger (essa sim, vencedora do prêmio, postumamente). Mas qual foi o problema na hora de coroar de uma vez por todas o trabalho de seu diretor e seus produtores? Seria o fato de ser uma adaptação de um estilo ainda considerado, por partes, infantil?

Vejam só, o impacto O Cavaleiro das Trevas foi além do campos da sétima arte (pra ninguém me acusar de tendencioso – vide que quem me conhece sabe que sou fã devoto desse filme). Devido a esses fatos ocorridos no Oscar de 2009, a Academia decidiu mexer na sua principal categoria – Melhor Filme. A partir de 2010, o campo nos traria 10, ao invés das 5 tradicionais opções. Tudo para dar espaço, mesmo que apenas para ser lembrado como “Indicado a melhor Filme”, a produções que agradaram ao público, crítica, mas que não se encaixam tanto nos padrões “sério e formal”.

Injustiças à parte, o Oscar ainda é o maior chamariz comercial para qualquer produção. É só você olhar em qualquer capa de DVD. Trace uma proporção, por exemplo, no espaço de exposição de prêmios/indicações ao Oscar, e o espaço reservado para os prêmios de renomados festivais como o de Veneza e Cannes.

Esse ano temos O Discurso do Rei como grande indicado: 12 nomeações. E pelo andar da carruagem, deve ser A Cor Púrpura de 2011. Bravura Indômita vem logo em seguida com 10 e Christopher Nolan volta a peleja com A Origem e suas 8 indicações (número da sorte? Nesse caso, do azar).

Fiz uma listinha com meus palpites de quem vence e quem eu gostaria que vencesse. Vem comigo:

Melhor filme

  • Cisne Negro
  • O Vencedor
  • A Origem
  • O Discurso do Rei
  • A Rede Social (Vencedor)
  • Minhas Mães e meu Pai
  • Toy Story 3
  • 127 Horas
  • Bravura Indômita
  • Inverno da Alma

Melhor diretor

  • Darren Aronovsky – Cisne Negro
  • David Fincher – A Rede Social (Vencedor)
  • Tom Hooper – O Discurso do Rei
  • David O. Russell – O Vencedor
  • Joel e Ethan Coen – Bravura Indômita

Melhor ator

  • Jesse Eisenberg – A Rede Social
  • Colin Firth – O Discurso do Rei (Vencedor)
  • James Franco – 127 Horas (Minha opção)
  • Jeff Bridges – Bravura Indômita
  • Javier Bardem – Biutiful

Melhor atriz

  • Nicole Kidman – Reencontrando a Felicidade
  • Jennifer Lawrence – Inverno da Alma
  • Natalie Portman – Cisne Negro (Vencedor)
  • Michelle Williams – Blue Valentine
  • Annette Bening – Minhas Mães e meu Pai

Melhor ator coadjuvante

  • Christian Bale – O Vencedor (Vencedor)
  • Jeremy Renner – Atração Perigosa
  • Geoffrey Rush – O Discurso do Rei
  • John Hawkes – Inverno da Alma
  • Mark Ruffalo – Minhas Mães e meu Pai

Melhor atriz coadjuvante

  • Amy Adams – O Vencedor
  • Helena Bonham Carter – O Discurso do Rei
  • Jacki Weaver – Animal Kingdom
  • Melissa Leo – O Vencedor (Vencedor)
  • Hailee Steinfeld – Bravura Indômita (Forte candidata)

Melhor roteiro original

  • Minhas Mães e meu Pao
  • A Origem (Vencedor)
  • O Discurso do Rei
  • O Vencedor
  • Another Year

Melhor roteiro adaptado

  • A Rede Social (Vencedor)
  • 127 Horas
  • Toy Story 3
  • Bravura Indômita
  • Inverno da Alma

Melhor longa animado

  • Como Treinar o Seu Dragão
  • O Mágico
  • Toy Story 3 (Vencedor)

Melhor filme em lingua estrangeira

  • Biutiful
  • Fora-da-Lei
  • Dente Canino
  • Incendies
  • Em um Mundo Melhor (Vencedor)

Melhor direção de arte

  • Alice no País das Maravilhas
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
  • A Origem (Vencedor)
  • O Discurso do Rei
  • Bravura Indômita

Melhor fotografia

  • Cisne Negro (Minha opção)
  • A Origem (Vencedor)
  • O Discurso do Rei
  • A Rede Social
  • Bravura Indômita

Melhores efeitos visuais

  • Alice no País das Maravilhas
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
  • Além da Vida
  • A Origem (Vencedor)
  • Homem de Ferro 2

Melhor figurino

  • Alice no País das Maravilhas (Vencedor)
  • I am Love
  • O Discurso do Rei (Minha opção)
  • The Tempest
  • Bravura Indômita

Melhor montagem

  • Cisne Negro (Vencedor)
  • O Vencedor
  • O Discurso do Rei
  • A Rede Social
  • 127 Horas

Melhor maquiagem

  • O Lobisomem (Vencedor)
  • Caminho da Liberdade
  • Minha Versão para o Amor

Melhor documentário

  • Lixo Extraordinário (Minha opção)
  • Exit Through the Gift Shop
  • Trabalho Interno (Vencedor)
  • Gasland
  • Restrepo

Melhor documentário em curta-metragem (Não posso opinar)

  • Killing in the Name
  • Poster Girl
  • Strangers no More
  • Sun Come Up
  • The Warriors of Qiugang

Melhor curta-metragem (Não posso opinar)

  • The Confession
  • The Crush
  • God of Love
  • Na Wewe
  • Wish 143

Melhor animação em curta-metragem

  • Day & Night (Vencedor)
  • The Gruffalo
  • Let’s Pollute
  • The Lost Thing
  • Madagascar, Carnet de Voyage

Melhor trilha sonora

  • Alexandre Desplat – O Discurso do Rei
  • John Powell – Como Treinar o seu Dragão
  • A.R. Rahman – 127 Horas
  • Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social
  • Hans Zimmer – A Origem (Vencedor)

Melhor canção original

  • “Coming Home” – Country Strong
  • “I See the Light” – Enrolados (Minha opção)
  • “If I Rise” – 127 Horas (Vencedor)
  • We Belong Together – Toy Story 3

Melhor edição de som

  • A Origem (Vencedor)
  • Toy Story 3
  • Tron – O Legado (Minha opção)
  • Bravura Indômita
  • Incontrolável (Forte concorrente)

Melhor mixagem de som

  • A Origem (Vencedor)
  • Bravura Indômita
  • O Discurso do Rei
  • A Rede Social
  • Salt

Como podem ver, no meu Oscar, A Rede Social será o grande vencedor da noite com 3 prêmios. A Origem deve rapar as categorias técnicas. Natalie Portman, que está simplesmente brilhante em Cisne Negro vai fazer justiça a esse filme que mereceria muito mais. Para os maldosos de plantão, pode-se dizer que David Fincherse vinga de Danny Boyle e leva pra casa o top prize da vez!

Agora veremos como serão os resultados na prática. Estarei com a minha listinha do lado pra conferir minha taxa de acerto. Mas já adianto que costumo ser péssimo nessas situações. E vocês queridos leitores, quem são seus favoritos?

Em tempos: O Cavaleiro das Trevas angariou nota 84 de 100 no site MetaCritic.com, uma instituição que leva em consideração as principais críticas de um filme, soma suas notas e tira uma média, se tornando um termômetro do que “presta” e o que “não presta” de acordo com a opinião dos especialistas. Já A Origem, filme que fará, em partes, jus a injustiça de 2008 a Christopher Nolan, teve uma média 72.

Publicado em Diário de bordo, Off-Topic | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

[Off Topic] Os melhores filmes de 2010!

Pergunta: Como decidir qual é o melhor filme do ano que passou?
Resposta: Assistindo a todos eles e tirando sua própria conclusão.

Difícil né?! Muito. Mas tem muita gente disposta a isso. E é a partir disso surgem as famosas premiações. Nesta época do ano é quando mais surgem lista de indicados e consequentemente, vencedores. É um bom termômetro para se guiar no que de melhor o cinema produziu.

As premiações são as mais diversas: Oscar, Globo de Ouro, Associação dos Roteiristas, dos Atores, Produtores, Diretores, etc. As vezes acompanhar tanta movimentação é tão difícil quanto assistir a todos os filmes em voga.

Eis que achei um site que reúne em uma só página as principais premiações ao redor do mundo. O InContentio.com administra uma página chamada The Circuit 2010-2011 que nos entrega mastigado todo movimento dos awards.

O mais legal disso tudo é entrar em apostas sobre os vencedores do Oscar. Com um pouco de paciência, você consegue notar, por exemplo, que A Rede Social é o grande favorito a levar o Oscar de Melhor Filme esse ano!

Fica a dica!

Publicado em Off-Topic | Marcado com , , , | Deixe um comentário

0016 – Häxan – A Feiticeira Através dos Tempos

Olá caros leitores.
Feliz 2011 a todos. Que esse ano seja cheio de filmes bons a todos nós rs!

16º filme da nossa jornada. Estou atrasado? MUITO. Mas a missão se mostra muito mais complicada na prática. Mas enfim, o mais importante é sempre seguir em frente. Já dizia o velho ditado: antes tarde do que nunca.

Häxan – A Feiticeira Através dos Tempos’ é um filme que comecei a ver ano passado, em meados de novembro. Não tive muito interesse logo de cara passei pra ‘Esposas Ingênuas’. Quando tive que resenhar sobre ele, semana retrasada, me lembrei que não tinha terminado a obra. Peguei o DVD emprestado de um amigo, assisti naquela semana, depois semana passada – mais uma vez. E já dizia o slogan de ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’: prepare-se para ficar impressionado.

Quando vemos esses filmes mudos, pelo menos acontece muito comigo, muita coisa influencia para a compreensão do filme e apreciação do mesmo. Com Häxan não foi diferente e o começo excessivamente documental dele não ajudou muito. Mas quando conclui a exibição, só tive uma certeza: preciso ainda ver muito esse filme.

Como o título nos adianta, temos aqui um filme que nos da o contexto, meio e fim da “Caça as Bruxas” através dos tempos. A primeira etapa é dedicada a documentos, pinturas, desenhos, maquetes, sempre acompanhados de uma narração em primeira pessoa. Com o desenvolver do filme, encenações se juntam para ajudar na ambientação e explicação dos fatos.

"A crença nos maus espíritos, feitiçaria e bruxaria é o resultado de ingênuas noções sobre o mistério do universo"

Preciso destacar 3 pontos de Häxan – A Feiticeira Através dos Tempos: funciona MUITO BEM como um filme de terror; Mais que um documento histórico, temos aqui grande apelo psicológico e filosófico; A ingenuidade que eu achava que existia na década de 20, se cai por água aqui.

Por que o terceiro ponto. Porque eu estava assistindo a todos os filmes, esperando certo amadorismo. Não por falta de competência. Mas por falta de experiência mesmo. Por ser uma linguagem nova. Mas em Häxan a coisa fica “preta”. Literalmente.

Para contar uma história sombria e perturbadora, o diretor Benjamin Christensen nos entrega uma obra cheia de cenas chocantes. Quando eu digo “cheia”, é porque são inúmeros os momentos onde nos é mostrado situações cruas, carnais, bizarras e impressionantes.

A escatologia vai de um parto do demônio a agonia de uma bruxa sendo torturada. Tudo muito exposto, muito voyeur. Com tal arma, Christensen logo nos tira do momento “History Channel” que é a primeira etapa, para uma experiência quase que 3D em plena década 20. Fato admirável. A imersão só melhora quando temos uma produção impecável em outros departamentos como: cenografia (prepare-se para testar sua claustrofobia), maquiagem (irrepreensível) e iluminação.

Sempre pintado com um ar filosófico como pano de fundo, inúmeros momentos onde a ótica e a semi-ótica botam a cabeça do espectador para trabalhar. A exposição da mulher, frágil e vulnerável ao mundo maléfico. A fuga da mulher do preconceito de uma sociedade ignorante. Vários são os quadros a serem destacados. O que torna o filme ainda mais brilhante.

‘Häxan – A Feiticeira Através dos Tempos’ me impressionou. Muito. Mas acima de tudo, me informou. Com certeza é um documento a ser apreciado com outras finalidades além da 7ª arte. A mitologia das bruxas, a posição opressora da Igreja, os céticos e os crentes. Tudo é explicado tim-tim por tim-tim e só torna a obra ainda mais valiosa.

Filmes como ‘Häxan’ acrescentam algo a mais. O que torna essa jornada ainda mais deliciosa.

Ps.: Se você jogar “Häxan” no Google, você encontra até DVD duplo do mesmo.

Häxan
Dinamarca/Suécia
(Aljosha, Svensk)
87 min. Mudo P&B
Direção:
Benjamin Christensen
Roteiro:
Benjamin Christensen
Fotografia:
Johan Ankerstjerne
Música:
Launy Grondahl (1922),
Emil Reesen (versão de 1941)
Elenco:
Elisabeth Christensen. Astrid
Holm, Karen Winther, Maren
Pedersen, Ella La Cour, Emmy
Sch0nfeld, Kate Fabian, Oscar
Stribolt, Clara Pontoppidan, Else
Vermehren, Alice O’Fredericks,
Johannes Andersen, Elith Pio, Aage
Hertel, Ib Schonberg

Publicado em #H, Anos 1920 | Marcado com , , | Deixe um comentário

Boas Festas

O Expresso Polar

Meus queridos leitores. Companheiros que fiz nestes seis meses de blog. Apóiam-me e me animam a sempre continuar! Gostaria de desejar um Feliz Natal e um Ótimo Ano Novo a todos. Ano que vem volto com força total no blog! Aproveitem essa época para descansar, curtir a família e as férias.

Publicado em Diário de bordo, Off-Topic | Marcado com | 1 Comentário